Quinta-feira, Agosto 07, 2008

Pois é...

Domingo, Junho 03, 2007

Lá do cimo...

Passou mais um ano para mim, andei na Minha Luta, andei nas linhas dele, arrastei pernas para fora da cama, levei o corpo para o mar gelado, abandonei um filho, chorei uma mãe.
Nesta vida de mesa de matraquilhos, cada golo contado, cada partida marcada a dois ou a quatro, á frente ou atrás é vida viciada, é partida acabada.
Vou começar novamente, dizer que passou um ano para mim, que me levo para ti a cada vez
que me trazes quando te vais e te levas sempre que chegas.

Domingo, Março 11, 2007

De quando em quando o tempo sai dos livros e inscreve-se nos corredores das casas nas prateleiras dos móveis e observa mudanças iguais neste presente passado.
Não compreende que como ontem, hoje foi amanhã, e depois, é quase sempre agora.
Quando saio de mim só quero poder voltar para encontrar a prateleira, o corredor
e encontrar o tempo cá passado, mas bem arrumado, a dias, por meses.
Como sono para ficar no inconforto do vago, no corredor deste dia a dia, surdo.
Como sei das rotinas, das minhas, nunca me cansaram as dos outros.

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

Nem sempre me aguento, passou meia hora e estúpido de mim quero apenas poder acreditar
que nestes tempos que nos passam eu não me vou deixar.
Tão sem, nestas vidas dispersas de mim, encontro-te tão com, sem nada de mim.
Estou tão vazio, tão tanto sem lugar nehum, tanto pouco do muito que me falta.
Onde estás que me cheiras e não te sinto, que te magoas e não me dóis, onde?
Podia não ter sido da mesma maneira e sempre seria igual como antes, na pausa das palavras.
Podia ter sido aos gritos e era igual nos descansos seguintes da voz, encontrada depois nos novos
parágrafos do tempo, até podia nunca ter acontecido, mas nem sempre me aguento.

Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

Que dia cansado acordou hoje.
Ontem, entre jornais de hoje, cócó, bufa, pum, trac, sem fim, plena de facilidades
como onda no mar, inscreves-te em nós parvos dos outros.
Vida, vidinha, vendaval amarrado ás secretárias das horas, ás teclas sem ré, sem si,
sem dó, neste dia cansado, cinzento, adormecido.
Sei o que foi, como livro por acabar, páginas meias, parte de lá, parte de cá. Parte, parte de partes, partes cansado na manhã adormecida dos outros que dormem cansados o cansaço da mesma noite que não te deixa pregar olho, que não te prende, que não te convence, mas partes, partes sempre...

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

De novo, como antes......

Ontem, até podia ser hoje, mas ontem, como caminho chegado ao fim e estrada por começar, chegou cheio de incertezas pleno de vontades, fruto de desejo guardado. Por bem querer, um Bom Ano em especial para ti, esperança de vida lançada á Terra.

Um Bom Ano também para nós que já sabemos ler, sonhar, amar, rir, cantar, escrever, somar, traír, saltar, multiplicar, acreditar, sentir, pensar, ousar, sorrir, chorar.

Um Bom Ano Novo!

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

No fio que nos separa encontro sempre a corda que nos liga.
Lá onde estás ficou a minha noite despida, ficou o luar que não quis trazer.
Nesta liberdade presa e nua sobram tempos cheios de quartos molhados.
Não encontro o teu passado em mim, olho para ontem e não me encontro lá.
Trocamos os corpos, mudamos de lugar e mudamos o lugar para trocar os corpos,
e entre preconceitos desarrumados encontra-se um novo sítio para descansar,
mas eu não quero descansar o cansaço que trago, não lhe dou tempo para chegar
de novo e dizer nada, e eu anónimo dentro de mim, não sei que fazer com este
fio que nos liga e esta corda que não me deixa deixar.
Quero fumar cigarros no luar do teu telheiro, beber-me nos teus copos, lavar-me
no teu cheiro, ter-me na tua pele, quero sempre o outro lado da corda que nos
separa, que por uma qualquer vontade nos agarra.
Deixo agora para depois a razão, deixo-me agora levar na estrada de areia,
deixo-me agora por despentear nos lençóis que quisemos ter.

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

Hoje não dei conta de sair de mim, acordei pela manhã, almoçei pela tarde, jantei na
noite. Bebi, fumei, cheirei e senti e sem saber de outras palavras, andei, sorri,
na cidade dos outros em trânsitos cheios de vermelhos intermitentes, andei nas ruas daqueles de respostas prontas. Hoje estou sem perguntas para as minhas respostas.
Estou sentado no lado certo da banco, sinto o chão molhado e a chuva que me teima ao vento, mas resisto sentado agarrando sem perceber o jornal que sobrou da manhã.
Gostava de poder guardar cada cigarro que ainda não fumei, como gostava de perder cada hora dos relógios que tive, e que já não tenho.
Os meus relógios deram-me muitas horas, cheias de dias e noites, é engraçado como quando trocamos de relógio mudamos o tempo das horas, é engraçado!

Domingo, Dezembro 03, 2006

Entre a noite a turnos, colheradas de sopa fria, espirais invertidas, palavras bem traçadas, esgrima de letras, letras sem tempo na memória teimosamente insatisfeita, por entre diários tão cheios de quotidiano e inevitavelmente construístas.
Entre meios vazios e cheios vagos, notas soltas de indiferença aprendida entretanto
em palavras iguais na forma, ordenadamente inócuas como desertos estéreis de sol.
Agora quero escrever palavras novas, as letras que não aprendi, as frases que nunca
tentei e que me sabem, talvez assim não me morra tão desidratado de ti.
Talvez desta vez não me chegue acontecer-me, num aparece-te que soa tanta a vem-me que vou acabar por não ir-me para aí, onde não fui e estive.
"Entre", é um espaço cheio onde tudo cabe quando me acordaste sem ti para mim.

Terça-feira, Novembro 28, 2006
















Quatrocentos e trinta, seiscentos e vinte, oitocentos e cinquenta
dias, horas, minutos e mais minutos, e mais horas e mais dias.
Um sábado choveu e não veio ninguém.
Um sábado não choveu, mas trouxe um novo olhar. Duas outras noites,
dois novos olhares nestes mesmos dias com falta de horas...
Um sábado já depois da chuva, vamo-nos sentar e jogar King.
Eu levo o baralho, tu a C.R.F. e aguardamos por um novo olhar.

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

De repente uma Nação começou a escrever.
Já lá vai o tempo das cartas, do papel, da saliva no selo e de outras tantas merdas e de repente, um arraial de sem abrigo da informática empurram botões cansados, novos, apressadamente, carregam esboços de palavras entre um, e mais outro macaco. Sem jeito escrevem gargalhadas, está claro. Em aparelhos que não são de escrever têm sempre tanta coisa para dizer, vinte e tal minutos passados interrompidos por bips a respostas encontradas e a outras tantas por dar, tal como fim de linha em máquina de escrever, ansiosa por outro, para outra nova linha, para um outro final diferente.
Já não vemos máquinas de escrever, talvez até se escreva menos, mas será que ficou tanto por dizer, para ter tanto que escrever logo tão cedo na manhã.

Domingo, Novembro 05, 2006

Num registo normal, de suposta anormalidade, podemos ser coerentes através de nós num outro registo, perfeitamente normal, incoerente, e despudoradamente certo.
Cháu miúdo. Cháu cóta.

Quinta-feira, Novembro 02, 2006










Há momentos, fumos do fogo,
encarnados de mar, mares terra,
terras do mar, gargalhadas,
risos escondidos, cheiros
guardados, chaves secretas,
pés descalços, mãos firmes,
dedos livres, horas soltas.
Há momentos sem tempo, num
olhar único tão nú de ti.

Segunda-feira, Outubro 30, 2006






A paz que procuramos, muitas vezes, está nos silêncios que não sabemos ouvir.

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

Das razões, com a mesma por encontrar, tantas vezes caminhos vários terminam num qualquer bar de esquina de rua em fim de noite, meia cheia de quase tudo.
Por nada quero perder quem quis para ter, por tudo quero ganhar depois de te ter. Só tu razão minha de tantos desencontros entendes os mesmos caminhos traçados nos tempos
da núdez viva e dos cheiros suados de madrugadas virgens, quentes, por tanto de nós.
Naquele quarto verde cheio de neve por caír, tão pequeno do tanto que tivémos, tão grande pêlo tanto que guardámos, encontrei uma razão para não ficar, estar bem.
Encontro-a sempre senhora razão de ontem, encontro-a hoje naquele mesmo bar, naquela
mesma rua, mas eu já não estou lá, fui-me embora para lá onde a verdade só não chega.
Fui para lá onde sinto a falta que não me fazes e o bem que nunca foste, mas que és. Por ser assim esta estranha forma de sentir, uma razão que nunca foi mais que um breve instante, foi acaso forçado de tantos momentos de bem querer a quem se quer.
Amanhã vais acordar em mim, rir no meu peito e saber que nunca saíste daqui.

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Aquele beijo, assinatura reconhecida por ventos do norte, assegurou o frágil início
das tuas esperanças, garantiu as lentas e amargas horas de espera nas outras noites.
Era tão já de manhã quando acordei tão perdido da sensatez de ontem, talvez tanto
por ter e de tanto mais querer sossegar em nós, eu.
Alegre de mim, nessa tua rua de areia fina com sentido único, lá fui de passo ligeiro, em contra-mão, procurando pelo depois antes do tempo daquele teu beijo simples e só.

Quinta-feira, Outubro 05, 2006

De bem estar com a vida, segue de cimo do olhar novo, um pássaro que voa alto seguro da fragilidade dos tempos, mas capaz de fazer parte do mesmo, de se superar em cada dia.
Amar é um meio, uma forma de não conseguir, não é fim nem começo nem o fim.
Grávida de tantos sonhos acorda dos seus dezasseis anos numa outra estação desta mesma cidade, igual no seu íntimo de quotidianos desfeitos em camas por fazer.
É o assegurar derrotas em mêdos de vitória, por vezes tão mais simples, tão mais reais.
Uma outra estação, engravidadas, grávidas, razões encarnadas para tantas camisolas,
outra estação, engravidadores, pais, filhos, filhos que nunca disseram pai, mães que nunca disseram homem, homens que nunca foram miúdos, miúdos que são pais......
Abrimos sempre os convites por recusar, recusando assim a única razão válida para os aceitar.
São os jantares em que não se comeu mas se esteve, os filmes que foram vistos sem querer ver, um olhar mais ousado com vontade de mais saber que se rejeita em desvio rápido e frágil, aceitando assim a única razão pela qual não se pode recusar um convite, querer, só.

Domingo, Setembro 24, 2006

"A noite passada acordei com o teu beijo, descias o Douro e fui esperar-te ao Tejo......".

Na noite passada acordei-te no Tejo, desçeste-me o beijo, deste-me o mote, encontrei-te na saliva, deste-me a morte, levaste-me a vida em horas repetidas com olhos brilhantes de mais querer, com olhos brilhantes de bem saber que a vida leva tempo a morrer. Na noite passada o
o nosso tempo chegou pela madrugada tão vazios de nós, tão cheios de tanto nada.

"Cheguei-me a ti e disse baixinho, olá".

Sábado, Setembro 16, 2006

Não consigo mais pensar, trémulo nas verdades, assertivo nos desesperos partilho quotidianos nossos com tanto muito de mim. Hoje quis ser ontem mas o amanhã já chegou tarde. Ontem
foi hoje mas o querer não era igual, entre mim e eu, tu e mim, nós em mim, mim em nós sobra vergonhosamente a sensatez da dúvida dum fim por acabar.
Hoje queres voar, ir mais além para lá da madrugada, mas eu não, eu vou bastar-me com o desejo dum novo dia, duma nova côr na madrugada, dum sonho desigual...
Sabes tempo, eu não tenho tanto tempo do tempo que tenho. Vou-me indo a cada hora para lá da outra margem e não paguei, não pago, aproveito a boleia e a corrente que está de feição.
Conheço um lugar que não sabes entre nós, dentro, saio leve como vento, suave como toque, saio sempre para poder voltar a entrar, para depois poder voltar a sair...

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

Novamente seguro de mim sigo estrada certa rumo ao agridoce desconhecido, à verdade por saber, ao concreto das decisões, na mentira ganho consciência da verdade que me acompanha,
seguro das inseguranças dos outros, certo das minhas incertezas. É somente querer chegar para então poder partir, embarcar na chegada que começou, saber que numa qualquer noite talvez um dia me reveja pela manhã ao acordar junto de ti...

Domingo, Agosto 20, 2006

Acordei morto de ti, tão só de ti, vejo agora que foste sempre só tu em mim, sem eu.
Conseguirias alguma vez ser o meu homem em ti?, conseguiria eu ser a tua mulher em mim?.
E vago de ti, longe, em estradas descalças tento encontrar o meu homem em qualquer mulher que diga olá como estás?
, que me diga bom dia quando a noite começou.
E novamente na estrada interrogo os sinais, os trânsitos, as normas, os paradoxos, os sentidos.
Desculpa quarto mas não tenho tido tempo, por entre correres sem sentido, palavras mal gastas e salivas que até tu reconhecerias privei-me do nosso tempo.
Está para chegar o tempo do vinho, das vindimas perdidas ganhas em pipas de melhor ou pior qualidade, vai chegar o mesmo Outono em que te senti pela última vez e novamente o meu coração vai bater como cavalo desenfreado em prado virgem. Como disse um amigo; Para quê comprar um caixão?... o sentido seria alugá-lo por umas horas,... depois tudo começaria novamente,... assim sempre teriamos um transtorno menor.

Sábado, Julho 22, 2006

Um dia foi sábado e acordei junto de mim na borda da cama cansada pelos tempos de espera.
Não era a minha que estava sempre alinhada, sempre pronta para ela própria. A minha cama não me pertence, nem a cama onde acordei, nem cama nenhuma onde já tenha tido que acordar, ou até de dormir.
Naquele sábado, senti a falta da cama que certamente tinha sentido a minha falta. Certamente que a minha cama, só de mim, não passou bem, não pode ter passado.
De olhos cansados olho sem ver um quarto grande com a côr deslavada pelos anos e as paredes cansadas pelo esforço de tantos quadros de tantos restos de antigamente. Realmente é grande tem duas janelas que abrem para dentro, cortinas uma tábua ao centro, uma casa de banho com mais duas janelas e um chão de pedra bujardada fabuloso, é grande.
Tem muita luz este Domingo que me envolve fresco, de porta entreaberta, em que as horas restantes são minutos contados num relógio de corda onde os atrasos são mais fáceis de entender. Afinal já passou é Segunda ou Sexta, é igual amanhã ou depois vai ser outra vez Sábado e vou poder dormir novamente sem pressa na cama na cama que me quiser.

Domingo, Julho 16, 2006

Fazemos aquilo que somos, conversamos gostos, discutimos prazeres e voltamos para acordar novamente a meio duma viagem, num caminho com falta de sentido para o desejado fim.
Sempre a caminho para lugar nenhum, cheio de tudo de um lado cheio de nada do outro.
Hoje voltei a "apanhar o comboio", sentei-me no mesmo lugar de há vinte anos junto à janela
do lado contrário à linha, os mesmos cheiros, as mesmas roupas, até as pessoas no seu igual quotidiano enremeladas por noites mal dormidas lá estavam. Agora todos vão a ler o jornal, talvez tenha sido a única mudança desde então, agora as pessoas sabem mais. Na altura compráva-se o jornal que era lido, as notícias discutidas e por fim ainda era levado para casa
porque sempre dáva jeito para forrar o balde do lixo. Hoje não, hoje não é assim.
Agora dão-nos as notícias em jornal fresco do dia quando entramos na estação, como não se paga todos lemos as notícias enquanto o destino chega, depois com a mesma facilidade que veio fica abandonado dando até ar de quem por lá passou os olhos não o percebeu, mas há sempre a possibilidade do próximo pegador de jornal o perceber pois agora os jornais já não vão para casa, não fazem falta, agora as pessoas sabem mais e há sacos para o balde do lixo.
A meio do caminho, numa outra mesma estação dou-me conta da chegada a casa, dum mesmo sentir de final de dia Verão, agora também temos uma voz sensualmente femenina que se anuncia indicando as horas e os lugares de cada um.
Tive que parar para poder viajar......



Segunda-feira, Julho 10, 2006

Sr. Professor......

Já está, acabou, fim, the end, ou finito.
Imortal povo este, Nação berço de Nações, condição ganha em guerras combatidas até ao último dos suspiros, até ao último dos homens, Nação valente, sem quaisquer margens para dúvidas, nobres destemidos que deram novos Mundos ao mesmo Mundo.
No seu tempo Sr. Professor parece que tudo era mau, ou foi mau. País, regime, pessoas, polícias, estradas, escolas, artistas, cultura, sei lá, não foi muito do agrado do dito povo. Passaram quarenta anos, é verdade, até para mim Sr. Professor e tudo mudou.
Hoje temos pessoas e polícias, estradas e escolas, artistas e cultura, desporto e futebol. Sr. Professor até começámos a ter que ouvir "Portugueses", acabámos com "o povo", mas ninguém diz nós, isso é para alguns, tudo está diferente, tudo melhorou depois do Torres, do Coluna e mesmo do "Pantera Negra", agora simplesmente Eusébio, com merecida estátua.
Agora as pessoas, nós, os Portugueses estamos realmente bem, com orgulho pela obra feita desde o seu tempo, satisfeitos como garoto com bola nova, como cachorro de pêlo escovado, estamos eufóricos na felicidade palerma de "mãe" adolescente. Estamos como estamos, e já chega. Satisfeitos por ser Portugueses, como aliás, já o éramos...
Hoje tudo é diferente, temos outro Sr. Professor, vias rápidas, estádios até Liberdade para podermos com mérito próprio chegar quase, quase, como no seu tempo, a uma final. Enfim...
Chegámos lá mas foi ligeiramente pior, festejámos, isso sim, realmente melhor com plasmas por pagar, em esplanadas cheias de fome em estradas cobertas com as cores da nação, umas vezes trocámos o lugar do vermelho encarnado pelo verde, mas são coisas em que ninguém repara, o importante é a festa. Não a outra, a do seu tempo, aquela à Antiga Portuguesa, em Praças engalanadas para Toureiros e povo se deslumbrarem com almas e tércios, bandarilhas
magníficas executadas com a perfeita mestria de quem sabe ao que foi. Grande Chibanga.
Agora temos os defensores dos animais dos outros que não sabem cuidar dos seus, e temos o
Campo Pequeno renovado, coisas novas, centros comerciais para conseguirmos ainda ser mais
felizes, é verdade, levamos a felicidade para casa em sacos cuidadosamente ordenados num carrinho que depois empurramos até ao nosso próprio meio de transporte, agora "quase" todos temos um, nesta altura como andamos muito contentes buzinamos imenso para que todos saibam que ainda existimos, foi a maneira encontrada para exaltar o nosso Patriotismo, e aproveitar para fazer notar o carro, depois lá vamos alegremente para casa, também "quase" todos temos uma, repartir a felicidade enquanto dura pois agora os meses são rápidos embora pareçam séculos, lentos só os ordenados que agora tardam em chegar, tecnologias.
E temos férias e montes, quer dizer muitos, de cartões na carteira, carteiras de pele, de marcas conhecidas, antes não havia tantas carteiras, nem cartões, nem bancos. Os bancos antes eram uns sovinas, uns pobres, hoje há muitos e ajudam-nos quase sempre, os bancos agora são muito ricos, isto melhorou muito desde o seu tempo, está tudo muito diferente.
Os jornais dão-nos bandeiras que vendemos com notícias importantes àqueles que ainda se preocupam em saber como vai a nossa Nação, pode não acreditar mas as notícias são muito parecidas com as do seu tempo só que agora não temos censura, também há cada vez menos gente com integridade e capacidade para isso, enfim depois de contas feitas, de votação efectuada pelos mais entendidos orgãos internacionais, notícia para o papel, ganhámos afinal um primeiro prémio, um almejado primeiro lugar, tinha que haver um,......fomos os mais empolgantes do Mundial, empolgantes é verdade. É a conhecida vitória de Pirro, para nada.
E no seu tempo não éramos empolgantes?, mas não havia ainda este prémio, aliás deve ter sido o primeiro e até nisso somos pioneiros, inovadores. Empolgante, foi a Amália no Olimpya, foram as antigas Colónias, talvez até Caxias ou mesmo a Pide para alguns, agora não, agora é o marasmo o agonizar de peixe vivo a quem temos de tirar o anzol para depois voltar a repetir o acto com o mesmo entusiasmo das horas dos dias anteriores.
Enquanto estamos com uns não podemos estar com uns outros, é condição.
O campeonato está aí a chegar como bom povo que somos, todos nós, vamos carpir mágoas passadas em derrotas de fim de semana, vamos recordar vitórias de outros nos ganhos próprios de cada um e alheios de nós vamos sentir o direito à indignação por Deus dormir lá, junto dos outros novos deuses na Roma democrática da velha itália.
Vou-me embora Sr. Professor, estou cansado, vou p'rós Fascistas......



Domingo, Julho 02, 2006

Tardes de Verão......

Hoje tentei compreender o vento, o que sente quando passa por mim, perdido no seu caminho atrás de ontem, despercebido de mim, da minha existência. Atravessou a rua, mudou de passeio como quem não quer cumprimentar, esquivou-se como namorada antiga, como devedor quase esquecido de qualquer coisa, passou simplesmente por mim.
Estava fresco, com sabor a novo e cheiro a mar, tem sorte o vento, vai para onde quer, umas vezes depressa outras devagar, umas vezes quente outras gelado, mas vai sempre.
Encontrei-o duas ruas abaixo no Beco da Torre, sózinho, acocorado num vão de escada onde mal se ouvia mas era ele realmente, triste e sem força, cabisbaixo como criança que faz asneira...
A conversa foi rápida, ele estava cansado de tantos anos passados, já conhecia o mundo todo, esteve onde a minha memória não chega, conhece o que nunca acreditei existir e então falou do mar. Era o mar a razão da sua tristeza.
Fizeram tantas viagens juntos, conheçe-o tão bem, fazem acordos acerca dos tempos que vamos passar, decidem sobre nós, mas ele não o consegue agarrar. Adora-o, leva-o para todo o lado, tráz-nos o seu cheiro, dá-nos o seu sabor, trá-lo de bandeja a cada um, mas não o consegue tocar, sentir a força da sua vontade, a vontade que tem de ser enorme, de ser azul, reconhecido e respeitado por todos, afinal o mar era imenso, amado por todos e ele companheiro inseparável de tantas viagens não mais que um desconhecido, e partiu.
Encontro-me também por vezes em mares desconhecidos que não agarro, mas como o vento, viajamos juntos, semanas, meses. São horas em perfeito desalinho com os dias, onde o querer agarrar nunca é mais do que a vontade dum vento fresco numa esplanada de mar em final de tarde de Verão.


Quarta-feira, Junho 28, 2006

Laranjada Russa......

Que momentos mágicos estes, ímpares, renovadores de egos prostados, de esperanças acabadas, de alegre idiota patetice, é o "Desporto Rei", como só ele, inebriantemente mundano, capaz de facilitismos permitidos àqueles que realmente nunca os deveriam ter tido. Os profissionais, nunca como agora o paradoxo do Eliseu fez tanto sentido, lá que tenham os tempos bastante ocupados nos "funcionamentos" diários muito bem, mas como sempre, cada coisa no seu lugar. Certa noite, depois de um dia mais complicado devido aos muitos afazeres e a um estômago algo fragilizado entrando na cozinha e vendo o fogão a arder o Dr. Gilberto gritou como nunca pelo Eliseu, o mordomo, não aparecendo e depois da satisfação própria de ter comprado aquele pequeno extintor em promoção na semana passada a fome já era coisa do passado, subiu aos quartos no andar de cima e pronto, lá estava o bom do Eliseu: Fodeu a comida e comeu o que era para foder...
São estes os ditos profissionais, alguns, que para nossa insatisfação não sabendo comer a relva conseguem afinal foder os jogos. Por fim até correu bem mas, e se:........era o futebol.

Sábado, Junho 24, 2006

Hoje é Sábado......

Continuação do Sábado de ontem, do Domingo de amanhã. Rápidamente, sem pressa, acordei para hoje como ontem, com o sono cansado do esforço de ti. Estás devagar, lentamente a
ganhar o teu espaço, a ocupar um lugar que nem sonhaste. Vieste quase sempre pela noite,
"...cama de órfãos capa de pecadores", só, intrigante, desafiadora. O orfão serei eu, se não ousar arrancar essa capa onde te revelas capricho próprio, confesso de ti, de mim, de nós.
Hoje é sábado, mas já não me sinto "sexta-feira"......

Domingo, Junho 18, 2006

Afinal......

Somos afinal uma ideia sem limite de liberdade,
somos no fim sobras de tudo aquilo que nos impõe limites.
Só dei conta que tinha crescido quando finalmente acordei.
Já tinha passado algum tempo, talvez meses, mas acordei.
Os dias passaram lentos enquanto esperava e no sem tempo
da minha espera, o mesmo foi chegando, com limite, a prazo.
Chegou por fim e com ele o corte radical com a liberdade.
Somos no fim restos por acabar de amores terminados, de
momentos de paixão, de enganos, do que está para vir.
Hoje, no longe do tempo, experimento cheiros, sabores,
olhares, toques, sentires que me dizem ter crescido,
que me fazem ansiar por aquela liberdade onde não podia
escolher, onde fui deliciosamente prisioneiro livre......

Sábado, Junho 17, 2006

Momentos......

Quero só poder navegar, ser quilha onde menos esperas, acordar sonhando que a cada dia aquele porto está mais perto de nós. Poder ser mar sem receio, abrigo sem porto. Já vai longe o tempo das vindimas, da dorna, mas o vinho, esse, acompanha esta nossa viagem como amigo, como sócio, como bengala jovem desiquilibrada no correr da noite.

Tempos......

Sempre soube que nas horas que passam os relógios são contadores de disparates de um sol que já não é o mesmo, de um passado onde a delicadeza da pontualidade existia sem ponteiros, certa.